sábado, 13 de dezembro de 2014

Nota sobre a interrupção das atividades da Sociedade Filatélica Ponta-Grossense, divulgada em 2004.

Reproduzo aqui apelo feito em 2004 a respeito da interrupção das atividades da Sociedade Filatélica Ponta-Grossense em 2000, no site Raphael Salem Filatelia.

Até o momento (dezembro de 2014), 14 anos se passaram e nada foi feito pela política local a fim de encontrar uma nova sede para a Associação. Infelizmente são poucos os filatelistas ponta-grossenses em atividade, tendo também faltado engajamento e disponibilidade para retomar as atividades desta instituição.


Ponta Grossa, 03 de fevereiro de 2004.

Como filatelista e ponta-grossense, gostaria de registrar minha indignação a respeito da situação da Sociedade Filatélica Ponta-Grossense. 
Em primeiro lugar, para quem não sabe, a SFP - Sociedade Filatélica Ponta-Grossense, fundada em 1938, é a mais antiga do Paraná, ainda mais antiga que a Soficur, de Curitiba, e que diversos clubes filatélicos que estão funcionando regularmente nestes nossos tempos. 
Ponta Grossa é uma cidade antiga e importante do sul do Brasil, considerada a capital nacional do Chopp Escuro, a capital cívica do Paraná, a capital dos caminhões e é também a cidade em que se encontra o maior entroncamento rodoferroviário do sul do Brasil. E, durante muitos anos, foi também a capital paranaense da filatelia, um dos mais importantes pólos filatélicos do País. É uma pena que este mérito não possa ser mais concedido.
Ponta Grossa foi e ainda é muito conhecida e valorizada pelos filatelistas antigos, pois, durante décadas, foi morada de renomados, saudosos e esforçados filatelistas, estando mais em alta principalmente nos seus anos de ouro, nas décadas de 40, 50 e, "em menor escala", até a década de 80. Até hoje é lembrada com carinho também por negociantes filatélicos, pois é uma cidade de onde saíram grandes e importantes coleções, que depois foram sendo espalhadas pelo mundo afora. Poderei ser injusto, mas citarei aqui alguns dos ilustres filatelistas que fizeram história na sua época: Dr. Plauto Miró Guimarães, Dr. Joaquim de Paula Xavier, Sr. Doná, Dr. Fulton Vitel Borges de Macedo (exímio carimbologista), Sr. Joanino Sant'anna, entre outros. Como disse, certa vez, meu amigo e filatelista Sr. Jorge Luiz Silvestre: "Hoje a maioria dos associados daqueles tempos se tornaram nomes de rua". E é assim mesmo.
Como se pode ver, e ainda deixei de falar muito sobre a filatelia na minha terra, Ponta Grossa foi uma cidade muito importante no cenário filatélico, mas atualmente não o é mais. 
Quanto à Sociedade Filatélica Ponta-Grossense, é o que lhes quero contar. Desde há alguns anos ela tinha uma sede no antigo edifício Dr. Elyzeu, na r. XV de Novembro, no centro da cidade. Era uma pequena sala com o seu importante acervo sob administração do meu amigo Sr. Jorge Luiz Silvestre, que fazia questão de comparecer lá todas as terças, quintas e sábados. Em final de 1998, descobri o funcionamento do Clube e comecei a freqüentar nos horários disponíveis, para comprar selos do Jorge, conversar, consultar o acervo e aprender mais filatelia. Algumas vezes em que estive lá, encontrei com alguns colecionadores e pudemos trocar idéias, entre eles o Prof. Luiz Carlos Godoy, outro importante filatelista de Ponta Grossa, a quem também devo sinceros agradecimentos. Porém, era muito raro encontrar o pessoal lá, e a sociedade estava, de certa forma, "abandonada" pelos demais colecionadores que sequer tinham conhecimento da existência do clube. 
Esta decadência havia começado na década de 80, mas pelo menos, até 2000, a SFP tinha uma sede. Pequena e antiga sala, mas o mínimo para que pudéssemos nos encontrar. Bem, eu sou gurizão ainda, e não entendo nada dessa história de "Lei de Responsabilidade Fiscal". A sala era de um proprietário falecido, mas, mediante algum tipo de convênio com a prefeitura de PG, ela poderia ser utilizada pelo clube, isento de pagamento de aluguel. Com a nova gestão do governo municipal, e por causa dessa lei, e também para cortar gastos para pagar as dívidas herdadas da gestão anterior, a sede foi fechada. 
Há quase quatro anos isto aconteceu, e desde então não se tomou nenhuma decisão a respeito disso. Mas também, vá perguntar para qualquer vereador daquela Câmara Municipal se sabe o que é filatelia. Se um ou dois responderem corretamente, vai ser a descoberta da América. E ainda assim pensam que é frescura de gente rica. Quanto ao acervo, que reúne catálogos de leilões importantes do passado, catálogos Yvert desde 1913, uma vasta coleção de boletins filatélicos do Brasil desde a década de 20, e catálogos de selos do Brasil, etc.: este material está sob os cuidados do Sr. Jorge, que, com muita responsabilidade, guarda tudo em sua própria casa, por não ter sede onde pôr à disposição dos interessados. 
Ano passado, houve em PG o Fórum do Selo, uma reunião entre os Correios e a comunidade filatélica para novos rumos. Em relação à história da sede, por enquanto, parece-me que ficou o dito pelo não dito. Foi prometido dispor a sede na Estação Saudade, após sua reforma, que também abrigará a escassa e malcuidada Biblioteca Pública Municipal, só que este prédio está em reforma há não sei quantos anos e eu duvido que se lembrem de nós se o prédio ficar pronto.
Só os filatelistas poucos de PG se juntarem e, com os próprios bolsos, pagarem um aluguel de uma sala e manterem um clube não é possível. É muito pouca gente interessada e abastada desse jeito. Então, era sim, necessária, uma ajuda do governo, ou da iniciativa privada, a fim de resgatar essa importante sociedade filatélica. Mas a gente fala, fala, e já viu dar resultado? É muito difícil. Porém, aqui deixo, de qualquer forma, registrada minha chateação com esta situação. A gente faz o que pode, mas poderia ser mais, se a gente fosse ajudado. Só depende de mais união e incentivo dos órgãos a quem compete fazê-lo, para que a filatelia conquiste mais jovens, mais crianças e até idosos, ou reconquiste aqueles que desanimaram dela por falta de companhia. 
O dia que obtivermos uma boa notícia em relação a isto, podem saber, colocarei em minha página e divulgarei a quem eu puder. Ficaremos todos muito satisfeitos.

Postagem de 2004 - Agradecimento e reprodução de artigos de Dorvelino Guatemozim

Gostaria de fazer um agradecimento especial ao Sr. JORGE LUIZ SILVESTRE, ilustre filatelista e atual responsável pelo rico acervo da Sociedade Filatélica Ponta-grossense, a propósito, a mais antiga do Paraná, que, infelizmente, no momento, está sem sede, devido à falta de vontade política e ignorância desta administração em relação à importância do colecionismo. O Sr. Jorge fez a gentileza de emprestar-me alguns exemplares da revista "Brasil Philatelico", do Clube Filatélico do Brasil, do período de 1934 a 1937, além da raríssima e importantíssima obra "Tosquias Filotélicas" , de Dorvelino Guatemozim, que contém uma seleção peculiar de artigos e registros da vida filatélica desta marcante e polêmica celebridade da "filotelia" brasileira.
De ambas as obras selecionarei, entre muitos, os artigos e partes mais relevantes e curiosas que despertem o interesse de vocês, visitantes, a fim de contribuir, mesmo que humildemente, para o seu maior conhecimento em relação à história da filatelia brasileira. É um prazer para mim fazer a seleção destes textos e comentá-los, pois é algo imortal e que certamente incentiva-nos a prestigiar ainda mais o nosso próprio hobby.
Espero que as novidades desta página possam realmente ter valia para a maioria de vocês! Gostaria de pedir que, sem hesitar, quem tiver alguma crítica, sugestão ou comentário a respeito desta iniciativa: Por favor, não a omita! Sua participação é sempre bem-vinda!
Raphael Prestes Salem
03 de fevereiro de 2004

TEXTO INSERIDO EM 10 DE JANEIRO DE 2005 - ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO

TRES FOI O DIABO QUE FEZ
      O Boletim Filotelico Bandeirante de junho de 1942 insere, entre as copiosas sandices do asneirão Roberto Thut, uma ultra lambança a respeito da emissão dos inclinados de 180-300 e 600 rs.. A verborragia visguenta calafetada de pedantismo asnático do parlapatão xaroposo deixou-me pasmado. Primeiramente, contesto que as franquias em foco sejam as mais raras, visto que temos variedades bem mais custosas, como tambem rebato a sua proverbial ignorância em tomar emissão como circulação, tal qual o seu grande mestre Kloke.
            Que digno rebento! Cumpre-me fazer refulgir mais uma vez a hipocrisia dos celeberrismo maitacas trifrontes. Aceitar meras opiniões ou palpites de Kloke ou de quem quer que seja e pôr de quarentena citações oficiais relatadas por quem ainda não deu direito de sua palavra ser posta em duvida, é de moleque indecente e indigno de se meter em cousas sérias. Diz o rifão: “Tres foi o diabo que fez”.
            Refiro-me ao trio paulificante Thut-de Sanctis-Fraccaroli, que barbaramente tem amesquinhado a nossa filotelia pela mercantilização, despeito infrene e presunção néscia, rasteira. Nos centros filotelicos devia levantar-se uma voz para protestar contra a negação da verdade pelos açambarcadores apaixonados, despeitados e ineptos como esses senhores, que se não vexam de proceder tão mesquinhamente, pensando, talvez, que além de sua órbita não haja filotelistas concientes, que notam contristados essa hedionda baixeza de caracter assaz prejudicial á boa filotelia. Tudo devo ao meu esforço próprio, pois não tive orientador nas buscas a que procedi nos arquivos oficiais. Antes de me chamarem mistificador, trabalhem, sindiquem, porquanto não temo desmentidos. Já escrevi alhures que a Casa da Moeda começou a fabricar selos postais em 1880 – série cabeça pequena. Lá se faziam as chapas e a Oficina das Apólices, depois Estamparia, era a impressora até 1866. Nestas condições, não é admissível figurarem papeis no arquivo da Casa da Moeda que lhe são estranhos.
            Os inclinados, menos o de 10 réis, não tiveram edital, e o começo de circulação dessa taxa está certo, certíssimo, conforme a “Declaração” na segunda edição do “Catalogo Brasil”, quer queiram, quer não queiram os gargantas, que infestam a nossa filotelia. Pela primeira vez, em 5 de junho de 1845, expediram-se ordens de entrega ao Correio da Corte de 4.000 selos de 180, 4.000 de 300 e 2.000 de 600 réis e de remessa para Baía, Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Sul. Como o ano financeiro era compreendido de 1°. de julho a 30 de junho, não é absurdo considerar-se que o inicio da venda fosse no primeiro dia do ano. É acertado tambem dar o inicio do giro á data da entrada no Correio Geral da capital do paiz das formulas sem edital. Portanto, ou foi a 5 de junho ou a 1°. de junho de 1845 que se verificou o fato em ebulição. Quem for estudioso, quem tiver amor á verdade e respeitar a probidade do proximo, que se dirija para o Arquivo Nacional, sito á Praça da Republica, Rio, e peça, da secção administrativa, Avisos Ministeriais do Imperio para a Fazenda, de julho de 1843 até 1850 e poucos, e verá que não sou do estofo moral desses impostores parasitas. Já que estou com a mão na massa, quero tocar em um caso histórico suspeito do dr. Francisco da Nova Monteiro, segundo rumores que me chegaram aos ouvidos. Esses cavalheiro murmura que Sua Majestade não se imiscuia em negócios de pouca monta, descrendo, por isso, da veracidade do Aviso do Paço de 3-7-1843 ao Diretor dos Correios, registrado na segunda edição do “Catalogo Brasil”. Será que ele arcou com o peso da honrosa e aristocratica investidura de conselheiro, capelão ou lacaio mór do excelso Dom Pedro II?! 
            Irra! O mesmo senhor tem malhado em ferro frio, em inicio de giro dos olhos de boi, prova dessa descoberta e divulgada por mim, corrigindo, desse modo, um erro de quase cem anos aceito por todos. O que não achei nos arquivos da Casa da Moeda, do Tesouro Nacional e do Correio Geral, topei nos atos governamentais insertos nos jornais. O numero 1 do “Diário Oficial”, da Corte, é de 1º. de outubro de 1862.  (...)
            Os meus trabalhos vivem citados por outros sem a hombridade literaria, que consiste na ausência da declaração donde foram trasladados. Ha inescrupulosos que até anunciam pertencerem ao arquivo do dr. Mario de Sanctis!
            Quando o sr. Chico da Nova Monteiro copiar do “Diario Oficial” ou dos originais governamentais, a sua observação será justa. Mas os meus livros foram feitos com o meu suor e o meu dinheiro e são de minha propriedade

Dorvelino Guatemozim -“Tosquias filotelicas” – páginas 111 a 114.
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O CRUZ BRANCA

Muito tem dado que falar e muita tinta tem feito correr esta nossa variedade.
Infelizmente a discussão precipitou-se pelo despenhadeiro do terreno pessoal. Mas, tinha que ser assim. Os que não possuem um exemplar dessa variedade hão de contestar a sua origem, até que possam tel-a, enriquecendo o seu album, a sua collecção.
O "Brasil Filatélico" atribue ao gerente do "O Filatelico" toda essa campanha com o fito de elevar e considerar essa variedade. Entregue a um grupo de filotelistas, a reação de "O Filatelico" o seu gerente não faz parte daqueles que habitualmente tem escrito, para tarzer um pouco de vida á Filotelia nacional. Outro ponto que o "Brasil Filatelico" traz como argumento para contestar a origem dessa variedade é a diversidade de versões que tem sabido neste ou naquelle orgão de publicidade. Cada um escreve o que lhe apraz, por exemplo, para o "Brasil Filatelico" o variedade "Cruz Branca" desde logo se afigurou de nenhum valor filatelico... porque "desde logo" o autor desse artigo (o do "Brasil Filatleico"), "desde logo" não possuia um exemplar da variedade.
Entretanto uma cousa é certa sobre essa variedade: O erro foi descoberto já na Repartição dos Correios por ocasião do recebimento das folhas da Casa da Moeda. Os exemplares que temos examinado todos tem o mesmo desenho, o mesmo papel e são portadores das características de authenticidade, o que corresponder a ter sido o sello impresso com as pedras e na propria Casa da Moeda, não fosse sufficiente saber-se de fonte segura, ter se feito o achado dentro do "Correio". De fato, reconhecemos que verificado o erro, devia este ser devolvido para a Casa da Moeda em suas duas folhas. Mas... não foi, e os selos hoje merecem as preferencias dos collecionadores, com excepções daquelles que não os puderam adquirir já pelo numero reduzido de exemplares que foram emitidos, já porque "desde logo" se lhes afigurou o "seu nenhum valor filotelico" muito embora a todo o instante haja quem quebre lanças para obter um exemplar.
Não admitir que na impressão de um selo emitido em numero de 1 milhão de exemplares possa ter havido um erro e que esse erro tenha vindo para fóra da Casa da Moeda, tanto mais que o sello era submetido a uma impressão por cada côr, é querer a infalibilidade, a perfeição absoluta! É pretender aquilo que não se conseguio, e não se conseguirá.
Imaginae o nosso critico do "Brasil Filatelico" a contestar o selo da Inglaterra, de George V. Catalogado por Stanley Gibbons sob o Nº 420 a, de seu Catalogo de 1927. Um tête-bêche do valor, 1 1/2 d, castanho, de 1924-26, entre os selos da rija Albion. Com certeza que "desde logo" o nosso conterraneo teria descoberto o seu "nenhum valor filotelico" e lá se ia para as urtigas essa variedade! Imaginae si uma firma ou alguem tomasse conta de um certo selo dos nossos e conseguisse a destruição das matrizes!, como succedeu com a Libra de George V, Nº. 156 do Cat. Yvert "desde logo" a autoridade indigena, descobriria o seu "nenhum valor filotelico".
Deixemos a Grã-Bretanha, e veremos o que sucederia ao selo de Malta, Nº. 53, Cat. Yvert. Esse então teria sofirdo não mais a taxação de "nenhum valor filotelico", esse teria ido irremediavelmente para o inferno queimar o pecado de ter sido desde a sua aparição, uma raridade, um selo emitido em pequena quantidade sobre papel que a seguir foi substituido!
O nosso cronista do Leão do Norte teria certamente, um ataque de apoplexia si por acaso sucedesse a descoberta de um tête-bêche na nossa emissão de 1894 ou em outra qualquer, tal como sucedeu com os celebres tête-bêche dos selos Ns. 65 e 69 da Suissa, Cat. Yvert, que só foram conhecidos por ocasião da 10ª. venda da Coleção Ferrari.
No seu intimo, o nosso cronista indigena terá por bom, por autentico, por variedade rara o nosso disputado CRUZ BRANCA, e como ele alguns outros.
É o caso da raposa da fabula. Os "CRUZ BRANCA" estão verdes...

(Este texto foi transcrito da obra "Tosquias Filotelicas", da autoria de Dorvelino Guatemozim, 1944, pp. 315-317)

É, de certa forma, cômica, a troca de farpas entre o nosso polêmico Dorvelino Guatemozim e o Sr. Hugo Fraccaroli, o editor da revista "Brasil Filatélico", a quem ele se refere por quase todo o texto. Fiz questão de manter a escrita da época e, se houver algum erro, perdoem-me e perdoem ao livro... 
Com puríssima e explícita ironia, mas também com uma quantidade de sólidos argumentos, Dorvelino expõe sua opinião a respeito da variedade "Cruz Branca" do selo comemorativo do centenário da Confederação do Equador, RHM C-18. O valor do selo-tipo novo, de acordo com o catálogo simplificado do Brasil RHM 2003, é de R$ 8,00, enquanto a célebre variedade Cruz Branca marca R$ 1200,00, tanto para a variedade nova quanto usada. Já passou pela minha mão um exemplar desses, e é muito prazeroso tê-lo em mãos, pois me parece que são conhecidos apenas 72 exemplares.
Depois de ler este artigo, eu passei a ter certeza absoluta que as variedades Cruz Branca são realmente acidentais e legítimas!

Os selos de telégrafo no Brasil - Mário Xavier Jr.

Artigo de autoria do Sr. Mário Xavier Jr., publicado no boletim da SPP de março/2002.

Os selos de telégrafo no Brasil

Mário Xavier Jr.

Os selos de telégrafo tornaram-se, com o passar dos anos, num dos enjeitados da filatelia. Houve uma época em que foram colecionados como qualquer outro tipo de selo, mas à medida que os catálogos deixavam de o listar, somente os especialistas continuaram a se interessar por eles. Felizmente para nós, no Brasil, a maior parte dos catálogos nunca deixou de incluir os nossos telégrafos. E hoje, qualquer um deles é peça de destaque numa coleção de selos do Brasil. O telégrafo elétrico foi inaugurado no Brasil em 11 de maio de 1852, sendo o seu fundador o Dr. Guilherme Schuch de Capanema, o Barão de Capanema. Naquele dia, através de uma linha telegráfica que ia da Quinta Imperial da Boa Vista ao Quartel General do Campo de Santana, o Imperador Dom Pedro II trocou telegramas com o ministro Eusébio de Queiroz, com Capanema e com o general Polydoro da Fonseca. Em 1952, por ocasião do centenário da inauguração, foi emitida uma série de selos comemorativos com a efígie dos três personagens (RHM C-278/80). 
Dezessete anos depois de inaugurado foi organizado o serviço teleegráfico nacional. Por um decreto datado de 5 de abril de 1869 foi autorizada a exploação de linhas por empresas particulares. Frederico Antonio Kieffer obteve a concessão para construir e operar por 20 anos uma linha telegráfica entre o Rio de Janeiro e Ouro Preto (MG), passando por Paraíba do Sul, Juiz de Fora e Barbacena e com algumas ramificações. 
Em setembro de 1869, Kieffer emitiu selos que, aplicados nos recibos entregues aos expedidores de telegramas, comprovaram o pagamento da tarifa autorizada pelo governo. Os selos foram emitidos nos valores de 200 réis, verde, 500 réis, carmim e 1000 réis, azul, litografados por C. Leopold Heck, no Rio de Janeiro. O desenho apresente como figura central um aparelho de telégrafo Morse, com a assinatura de Kieffer na base e um pequeno retângulo com o nome do gravador. Nos quatro cantos os algarismos do valor foram gravadosem formato retangular, com fundo branco no 200 réis e fundo de cor nos outros valores. Estes selos têm aplicado no verso um carimbo com número de controle, na cor verde-azulada, e com os dizeres "Linhas Telegraphicas do Interior" (RHM T-1/3). Em 1871 os mesmos selos foram emitidos sem o carimbo de controle no verso (RHM T-4/6).





Uma nova emissão surgiu em 1873, semelhante às anteriores, porém com os algarismos do valor em formato redondo e em fundo de cor. Os mesmos valores foram impressos em novas tonalidades de cor e emitido um valor de 2000 réis, castanho (RHM T-8/11). Estes selos são conhecidos também em papel filigranado formado pela marca de fábrica do papel, Lacroix Frères, em letras maiúsculas de traço duplo. 
No mesmo ano de 1873 Kieffer emite um selo que, adquirido antecipadamente, era uma espécie de vale para a transmissão posterior de um telegrama. O selo apresenta o mesmo modelo do 200 réis da primeira emissão, com duas faixas laterais com as inscrições "Vale para Transmissão" e "FR. A. KIEFFER". O selo foi impresso em tiras horizontais de 4 selos, em papel fino, preto sobre verde claro, amarelo ou palha, e era posteriormente colado e prensado sobre cartolina (RHM T-7). 
Em 1º de abril de 1899 foram postos em circulação os selos de telégrafo da República. Foram emitidos dois valores, 200 réis, verde, e 500 éis, violeta, litografados na Imprensa Nacional (RHM T-12/13). Estes selos eram usados exclusivamente para o serviço urbano do Rio de Janeiro entre as agências Central, Niterói, Fortaleza de Santa Cruz, Rio Comprido, Engenho novo, Praça da República, Largo dos Leões, Prainha, Santa Tereza, São Cristóvão e Largo do Machado. Eram aplicados nos canhotos dos talões de recibo, guardados na repartição por um período de cinco anos e depois inutilizados. Por volta de 1918, encerrada a prática dos selos de telégrafo, os estoques ainda existentes foram postos à venda aos filatelistas.


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Controvérsia etimológica

Originalmente publicado no site "Raphael Salem Filatelia", hospedado no Tripod e com funcionalidade limitada.

Controvérsia etimológica: "Filatelia" ou "Filotelia"?

por Raphael Salem
A Língua Portuguesa é muito rica. E isso não se contraria quando se trata de vocábulos relacionados à também rica arte de colecionar selos. Nós não precisamos emprestar palavras de línguas estrangeiras para denominar os elementos e técnicas filatélicas, e esse fato nos orgulha a todos os adeptos da filatelia.
Contudo, toda afirmação tem suas contrariedades, e é aí que surge a dúvida: Filatelia ou Filotelia?
Já dizia o ilustre e saudoso filatelista da primeira metade do século XX, Dorvelino Guatemozim, que era radicalmente contra o uso do termo filatelia e de seus derivados: ...adotemos a forma filotelia e seus derivados; persistir no erro seria simplesmente um despautério...
Sua opinião era essa devido à seguinte contradição: A palavra origina-se das palavras gregas philos (amigo) + telos (imposto) ou ateleia (isenção de impostos). Aí persiste a dúvida. Qual a real terminação: telos ou ateleia?
A justificativa de Dorvelino Guatemozim baseou-se em diversos fatos. Vejamos o seguinte trecho de seu livro Catálogo Brasil, 3ª edição, de 1941:

"(...) O acatado filólogo GONÇALVES VIANA registra no seu Vocabulário somente Filatelia, sem referência à sua derivação.
Acontece, porém, que o eminente helenista BARÃO RAMIZ GALVÃO, profundo conhecedor do rico e sonoroso idioma de HOMERO, está em desacordo quanto ao segundo elemento ateleia, e afirma que o correto é Filotelia cuja origem é o grego philos (masculino) amigo, e telos (masculino) imposto, que significa amigo do imposto, isto é, de selos.
Penso que o preclaro RAMIZ GALVÃO deu um quinau nos lexicógrafos, acrescendo, para corroborá-lo, que existe uma revista mensal, que se publica em Atenas, capital da Grécia, à Avenida Patission, nº 26-a, intitulada Philotelia, órgão oficial da Sociedade Filotélica Helênica.
Para firmar opinião sobre o assunto, visitei, em sua residência, o sábio professor. Acolhimento fidalgo. Discreteando sobre o caso, declarou-me ele manter, pereutória e convictamente, a sua idéia a etimologia sua, exposta acima, e portanto a forma portuguesa Filotelia. Esta é que é correta."

Nota-se que, após diversas pesquisas e eloqüentes justificativas, a conclusão de Dorvelino Guatemozim foi a qual determina filotelia o termo etimologicamente correto. Isso fez com que ele o usasse radicalmente em todas as suas publicações. Porém, desde antes dessa conclusão e até hoje, usa-se o termo filatelia; são raras as citações do termo filotelia como o correto.
A controvérsia continua. E só poderá ser abolida quando a questão realmente for estudada e analisada com profundidade. Difícil será mudar o costume universal caso o polêmico Dorvelino esteja certo...